12 julho 2007

Balanço da 11ª rodada

A média de público na Série B foi de 5.271 pagantes, excluindo-se Gama-DF 4x2 Avaí-SC, partida com súmula divulgada, porém borderô, não. Muito curioso!

Destaque para os 11.516 torcedores no Barradão, seguidos pelos 8.567 de Fortaleza 0x0 Ipatinga, no Castelão. Este, aliás, único sem a alegria do gol.

Criciúma 3x1 Coritiba, o líder contra o vice, teve 7.082 pagantes, no Heriberto Hulse.

Resultado que fez disparar na liderança o campeão da Série C, invicto há oito rodadas.

Mandante pela sexta vez, o Ituano pela sexta vez registrou o pior público da rodada: 384 pagantes, digno de revoltar a cidade dos superlativos.

Foram 31 gols em 10 partidas.

Sem qualquer triunfo dos visitantes.

11 julho 2007

Mortes no Ba-Vi: Impunidade

Por Nelson Barros Neto

Salvador - “Hoje em dia, a violência prevalece sobre a paz. E o pior é que isso vai ficar impune. Se ele tivesse dinheiro, apareceria logo o criminoso. Mas como não tem...”
As palavras raivosas do senhor Milton Vítor Pereira, em referência à morte do irmão Luiz Carlos, meia hora antes do primeiro Ba-Vi do ano, refletem um já antigo sentimento que permeia a sociedade brasileira. E não sem motivo.
Tanto Luiz quanto Pedro Sales Silva foram vítimas do clássico do dia 11 de fevereiro, disputado no Barradão. Um rubro-negro, o outro tricolor. Um na chegada, o outro na saída do estádio. Mera coincidência?
A dupla de homicídios completou hoje exatos cinco meses, porém ambas as famílias continuam esperando acontecer alguma coisa. O rol de escândalos recentes, ainda sem solução, não é formado apenas por Caso Neylton, Maré Vermelha, Maracangalha, Operação Navalha e crimes que o valha.
MOROSIDADE – Determina o Código de Processo Penal, em seu artigo 10, que o inquérito policial deverá ser encerrado em até 30 dias. “Se o fato for de difícil elucidação”, acrescenta o parágrafo terceiro, há a possibilidade de este prazo aumentar em mais 30. Mesmo assim, as mortes do Ba-Vi, que dentro de campo também terminou empatado em 1 a 1, seguem na fase inicial, de investigação.
Impedidas de ser denunciadas pelo Ministério Público (MP) e, finalmente, entrarem na etapa judiciária do processo, elas só dilatam a indignação reinante na saleta que abrigou o corpo dos dois torcedores, no Cemitério Quinta dos Lázaros. “A sensação é de total impunidade. Isso também incentiva outras pessoas a fazerem o mesmo”, acredita Milton, irmão de Luiz.

Autoridades tentam explicar demora

Como os assassinatos de Pedro e Luiz Carlos ocorreram em circunscrições policiais diferentes, os casos foram parar em delegacias distintas. Na 4ª, situada no bairro de São Caetano, a delegada titular, Celina Santos, admite a demora na investigação. Mas alega que se ela não for cuidadosa, com todas as provas e evidências se encaixando, não será suficiente para o oferecimento da denúncia ao Ministério Público.
”Não é desinteresse nosso, não. Pelo contrário. É que foi um homicídio meio difícil, pelo horário e pelo local“, afirma, sobre a morte do tricolor Pedro. ”Porém, ficou parecendo mesmo uma retaliação, algo passional“, completa.
A delegada da 10ª, Sandra Lima, por sua vez, garante que o inquérito de lá só depende do laudo cadavérico do rubro-negro Luiz para ser concluído. Situação que a própria assessoria de imprensa do Instituto Médico Legal confirma, diga-se.
Enquanto o capitão Marcelo Pita, responsavel pela unidade de imprensa da Polícia Militar, diz que a corporação não tem mais o que fazer a respeito do caso, o promotor de justiça Nivaldo Aquino, que ainda em fevereiro se comprometeu em acompanhá-lo, ao lado do colega José Renato Oliva, trata de defender o trabalho até então realizado. ”Estamos acompanhando. O fato não está esquecido. Mas, às vezes, é melhor realmente que se alongue a investigação para que se chegue aos verdadeiros culpados, do que acusar alguém sem provas, só para fazê-lo“, finaliza.

MEMÓRIA: Rivalidade mórbida

No dia 11 de fevereiro deste ano, nem bem o pedreiro Luiz Carlos Vítor Pereira chegou ao Barradão, junto com o vizinho Jorge de Jesus Barreto, quando um ônibus da torcida organizada Bamor teria surgido perto da dupla. Luiz vestia uma camisa da facção rival Os Imbatíveis e acabou sendo agredido com socos. Caiu no chão, chegou a se levantar depois, mas suportou apenas alguns segundos, em pé, antes de desabar novamente. A primeira assistência médica só apareceu no intervalo do jogo. Morador do Pau da Lima, o rubro-negro de 41 anos já aportou sem vida no Hospital Geral do Estado. Deixou esposa com deficiência física, uma filha de quatro anos e um filho de 17.
TRICOLOR – Fanático pelo Bahia, o aposentado Pedro Sales Silva, 43, foi espancado por quatro torcedores do Vitória no começo da noite daquele domingo. Quando já voltava para casa, ao lado de dois amigos, um vestido com a camisa da Bamor, ele desceu do ônibus na altura da BR-324, próximo ao Makro, no momento em que teria sido surpreendido pelos ´adversários´. De acordo com as testemunhas, estes estavam em um Palio vermelho e trajavam o calção da torcida Os Imbatíveis. Uma emboscada, supostamente. Pedro residia no bairro de Fazenda Coutos e deixou dois filhos.

Matéria publicada na edição desta quarta-feira (11/07/2007) do A Tarde.


Notas do autor:

Sábado, um ônibus da Bamor foi alvo de tiros na altura de Portão quando se dirigia a Aracaju para Confiança x Bahia.

Ontem, no Barradão, pessoas vestidas com camisa da "Os Imbatíveis" atacaram membros da "Inferno Coral", do Santa Cruz.

O motivo: "parceria" com a Bamor, que, não por acaso, tinha integrantes no Estádio.

A Leões da TUF, do Fortaleza, tem relação ainda mais estreita com a Bamor.

E sábado tem Vitória x Fortaleza.

Escolta de cinco policiais não adianta!

Atualizada às 0h11.

10 julho 2007

Vitória, que sufoco!

Alysson deixou a defesa do Vitória desprotegida e partiu atrás da bola.

Fez grande jogada pela esquerda, cruzou olhares com Joãozinho e tocou para o meio.

Que ousadia do lateral!

A área do Santa Cruz estava cheia de gente, mas o que apenas se viu foi Joãozinho concluindo para o fundo do gol de Gottardi, aos 21 minutos do 2º tempo: 1x0.

Àquela altura, o empate sem gols era tanto provável como justo para Vitória e Santa Cruz.

Em mais de 65 minutos, ninguém criara qualquer chance aguda.

Tanto que os adversários ensaiaram juntos no intervalo o discurso de culpar o árbitro Hércules Martins da Silva.

Os pernambucanos reclamaram pênalti em Marco Antonio, logo aos 5. Os baianos, em Joãozinho, aos 24.

Solução aparentemente simples quando não se desvenda o enigma de jogar bola.

Para sorte do Vitória, Alysson teve brilhante lampejo.

Porque a solitária – e individual – jogada pela esquerda resultou no gol que tanto se insistiu buscar pela direita.

Mas ontem não estava Apodi, suspenso, substituído por Alex Santos, que tampouco foi mal.

Sinal que Givanildo Oliveira continua a ter muito a corrigir para dar opções ao time.

Pois nem a expulsão de Romeu, do Santa Cruz, aos 33 da etapa final, ajudou a melhorar.

Parabéns aos 11.516 pagantes no Barradão, valentes diante de incomum horário e também da noite cinzenta que encobriu Salvador.

Desta vez não ganharam goleada, mas ficaram satisfeitos com o retorno ao G-4 graças ao triunfo pela contagem mínima aliada à derrota do Brasiliense por 3x1 para o CRB, em Maceió.

Vitória na caça aos líderes

A 11ª rodada da Série B terá as 10 partidas às 19h30.

Desta vez, horário incomum pela Seleção na semifinal da Copa América, e não por má vontade de quem detém os direitos de transmissão.

Quinto colocado com 15 pontos, o Vitória tenta recortar a distância para a turma do G-4 pegando o Santa Cruz, 16º, com 12, no Barradão.

Sem Apodi e Sandro, suspensos, mas com Thiago Gama, que, hoje, completaria 100 dias sem atuar oficialmente.

No mais, duas partidas curiosas.

Uma para ser acompanhada de perto, outra, para ninguém ver.

O líder Criciúma, 21 pontos e quatro à frente do vice-líder, recebe justo seu perseguidor, Coritiba, no Heriberto Hulse.

Na outra ponta, promessa de algo parecido a futebol, com o lanterna Ituano pegando o Paulista, antepenúltimo.

09 julho 2007

As “férias” de Vanderson

O STJD absolveu, esta noite, Vanderson da acusação de agressão física – artigo 253 do CBJD – no lance de sua expulsão em Portuguesa 1x0 Vitória.

Safou-se por 3x1, com voto contrário do presidente da 1ª Comissão Disciplinar, Wanderley Rebello, que indicou pena de três partidas por infração ao artigo 254, jogada violenta.

A advogada Patrícia Saleão usou o videotape como prova.

Porém outra evidência é ainda mais clara.

Que uma hora o comportamento de Vanderson vai penalizá-lo. E ainda mais ao clube.

Foram doze cartões amarelos e um vermelho em 25 partidas do Campeonato Baiano.

Nos quatro jogos da Copa do Brasil, dois amarelos e um vermelho (pena de duas partidas).

Na Série B, até agora, três amarelos e um vermelho em seis compromissos.

Vanderson ficou fora nove vezes na temporada cumprindo suspensão.

Como o Vitória fez oito partidas em média por mês, passou 30 dias de "férias".

Nadson sob holofotes

O Chelsea vai fazer três amistosos este mês nos EUA como parte de sua pré-temporada.

Sábado (14), encara o América do México, em San Jose.

No sábado seguinte (21), o Los Angeles Galaxy, time norte-americano que contratou David Beckham e desponta como paraíso de craques e artistas de Hollywood.

Entre um e outro, pega o Samsung Bluewings, da Coréia do Sul, próxima terça (17), também em Los Angeles.

Excelente oportunidade para Nadson, ex-Vitória, que vive dizendo querer deixar a Ásia, fazer por onde.

Claro que Nadson não vai arrumar transferência para o Chelsea!

Mas nada impede de jogar como nunca e chamar atenção de mercados menores da Europa.

Para constar: o Samsung tem seis jogadores que defenderam a Coréia do Sul na Copa da Alemanha e contrataram, este ano, do italiano Perugia, Ahn Jung-Hwan, atacante famoso por ter marcado o gol de ouro que eliminou a Itália da Copa de 2002.

08 julho 2007

Resumo da largada

A primeira rodada da Série C teve 63 gols em 32 partidas, apenas 1,97 de média.

Os mandantes venceram 14, sem contribuição dos baianos Atlético e Poções, empataram 10 e perderam oito.

A dupla campeã brasileira, Bahia e Guarani, decepcionou outra vez.

Fora de casa, o tricolor empatou com o Confiança-SE e o Bugre tomou 2x0 do Jaguaré, do Espírito Santo.

O Paysandu também perdeu: 1x0 para a Imperatriz, do Maranhão.

Confiança-SE e Bahia, e América-SE e Asa-AL fizeram do grupo 8 o único sem gol.

As súmulas e os borderôs vão estar disponíveis amanhã.

É Copa 2 de julho, tchê!

O Internacional carimbou o selo de qualidade da Copa 2 de julho de futebol Sub-17 ao derrotar o Cruzeiro por 2x1 na final, disputada no Estádio Toca do Guaiamum, em Porto Seguro.

Quem mais venceu a Copa Macaé, três de dez edições, tratou também de ganhar a nova referência do futebol brasileiro na categoria.

Foi somente para ratificar a hegemonia, tchê, pode-se dizer.

Sete vitórias em sete partidas, ataque mais positivo (31) e menor média de gols sofridos por jogo (0,43).

Quem quiser mais, guarde este nome: Lucas Roggia, artilheiro com 10 gols em seis jogos, o último deles o que trouxe a tranqüilidade dos 2x0 aos colorados, aos 27 min do segundo tempo.

Mauro: “Está uma teta a Série C.”

Por telefone, conversei com Mauro Fernandes. Uma simpatia no trato à imprensa, independente do horário.

Contudo, ontem, início da tarde, estava diferente. Entendi na primeira resposta.

Mauro pediu demissão do Ceilândia-DF para cuidar da mãe, então muito doente, que acabou falecendo dias atrás.

Fiquei constrangido. Falei com ele apenas duas vezes desde a saída do Vitória, a última há uns três meses.

Espirituoso, mudou o tom e deu corda a animada e informal conversa.


Analisou a Série C, elogiou a estrutura dos clubes baianos, mas discordou de sua demissão do Vitória.

Reproduzo parte abaixo:

MS – O que você achou de Bahia e Vitória?
MF – Gostei muito. O Vitória tem uma estrutura do caramba! O Bahia, também. Estava muito mal-tratado quando cheguei, mas soube que o pessoal começou a cuidar e deu uma melhorada. E o time?

MS – Artur começou bem, mas passou a inventar. Escalou 40 times diferentes no ano. Não repetiu uma escalação e vai improvisar Ávine no meio-de-campo contra o Confiança-SE.
MF – Ávine!? Artur gosta de testes, igual ao Carpegiani. E os salários? Estão pagando, não?

MS – Mais ou menos. O elenco está em dia. Os funcionários, bem, a diretoria faz aquele escalonamento de pagar quem ganhar menos, os outros não...
MF – Isto mata o grupo! Eu sempre cobrava pois funcionário precisa de alegria. Dizia: “Paga o funcionário que ganha pouco e deixa o jogador para depois”. O clima fica ruim, tem maus fluidos. Minha saída foi por causa disto, pela falta de perspectiva.

MS – Você acha que o Bahia sobe?
MF – Está uma teta a Série C. Muito mais fácil que o ano passado. Nossa, uma teta! Tem que aproveitar!

MS – Quais times você tem informações? Quem sobe?
MF – Eu tinha fichas de todos os time da Série C e passei para o Ceilândia-DF. De São Paulo, o Noroeste é o mais arrumado. O Paranavaí manteve a base do estadual e deve surpreender. O Atlético Goianiense vai disputar. De Minas, o Democrata se reforçou, mas não aposto. Soube que o ABC está razoável, mas tampouco deve ter ritmo até o octogonal.

MS – E Paysandu, Guarani...
MF – O Paysandu pode descartar. Com o que tem hoje, carta fora. Também não acredito no Guarani, apesar de toda tradição. De São Paulo, arrisco mais o Noroeste.

MS – E o Vitória? Oscila demais na Série B. Eu esperava que largasse melhor.
MF – Ninguém entende e se comenta muito. Eu também acreditava no potencial, ainda mais com o time montado.

MS – É quase a mesma escalação de sua época.
MF – Mudou apenas o goleiro. Eu escalava Emerson; Apodi, Sandro, Jean e Alysson; Vanderson, Bida, Garrinchinha, na maioria das vezes; e Jackson. Na frente, Índio e Joãozinho.

MS – Você colocou Índio no ataque e Bida como volante.
MF – Índio no ataque, Bida, volante, apostei e dei confiança ao Alysson, que queriam mandar embora e ainda não acharam substituto. Saí líder do Campeonato Baiano.

MS – Você fez um bom trabalho, mas futebol, mais que eu, você sabe como é.
MF – Peguei o Bahia acabado no Baiano e fui eliminado no Ba-Vi da Fonte Nova. Saí líder da Série C, peguei o Vitória em situação delicada e fomos vice-campeões. Liderava o Campeonato Baiano quando aconteceu a eliminação para o Baraúnas. Foi muito ruim, mas todos já sabiam dos jogadores irregulares do Baraúnas. Mas a pressão foi grande. A imprensa, quando quer, derruba, ainda mais aí. Pode demorar, mas derruba. Não adianta brigar com a imprensa. Os técnicos e os jogadores precisam de vocês, e vocês da gente.

Domingo de decisão

Internacional e Cruzeiro têm garantido um troféu produzido em fibra de vidro pelo artista plástico Luis Augusto Rezende representando o Elevador Lacerda, símbolo da arquitetura baiana.

Mas os meninos querem mesmo é o título de campeão da Copa 2 de julho de Futebol Sub-17.

Disputa às 16h, no Estádio Toca do Guaiamum, em Porto Seguro.

Ambos invictos, porém o Cruzeiro empatou uma partida, a última da fase classificatória contra o Bahia, enquanto o Internacional venceu todas.

Além da melhor campanha, os gaúchos possuem o ataque mais positivo e a defesa menos vazada.

Fora Lucas Roggia, artilheiro com nove gols. Quem viu diz ser um primor.

Internacional-RS: Anderson; Daniel Henrique, Bregalda, Gustavo e Juan; Natan, Juliano Pacheco, Elton e João Paulo; Lucas Roggia e Bryan (Diego Moraes). Treinador: André Prodes.Destaques: Lucas Roggia e Bryan.

Cruzeiro-MG: Douglas; Rodrigo, Felyp, Vinicius e Matheus; Rafael Medeiros, Zé Eduardo, Rafael Rueda (Lenine) e Eliandro; Wallace e Washington. Treinador: Paulo Ricardo.Destaque: Wallace.

Árbitro: Gleidson Santos Oliveira, assistido por Edílson Teles e Zenildo Souza Santos.