15 julho 2007

O palco de Lula e o novo ringue de Popó

Vitor Hugo Soares

Meu personagem da semana é o pugilista Acelino Popó de Freitas, em suas primeiras gingas no tablado sempre traiçoeiro da política baiana, ao tomar posse no cargo de secretário de Esporte e Lazer da Prefeitura do Salvador, depois de gloriosa carreira nos ringues. Em menos de uma década, esse filho famoso e louvado da Bahia conquistou quatro cinturões de ouro e sofreu apenas um nocaute em menos de uma década de profissionalismo.

Confesso: vacilei na escolha do personagem, diante da forte concorrência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última quinta-feira, ele se apresentou no palco do Teatro Castro Alves e foi um show.

Procedente de Recife, a caminho do Rio para a abertura do Pan, a performance de Lula no TCA, local tão simbólico da vida e da arte na capital baiana, é dessas que deixam marcas profundas, para o bem ou para o mal.

O presidente passou como um meteoro, mas foi uma dessas visitas sempre desejadas, principalmente em tempo de complicadas relações da política e do poder: a que demora pouco e rende muito.

Trouxe um avião carregado de recursos, a ponto de surpreender até mesmo o governador Jaques Wagner, que confessou: não esperava tanta verba para o chamado PAC do Saneamento e da Habitação no Estado: R$ 1,362 bilhão. Mas o presidente, além da dinheirama, trouxe carradas de afagos e conselhos ao “companheiro governador do governo de esquerda da Bahia”, que tem andado amargurado e macambúzio ultimamente com as doses seguidas de vinagre que tem sido obrigado a beber, servidas por antigos e bravos aliados das corporações – professores e camaradas do PC do B à frente – em lutas passadas. Até vaias aprontaram para o ex-sindicalista no recente desfile do 2 de Julho, nas ruas de Salvador, além de muitas cascas de banana deixadas no caminho da administração petista. No palco, Lula pediu ao seu ex-ministro do Trabalho para não se deixar estressar e deu a receita que ele considera segura contra aporrinhação: não ler jornal antes do café. Isso me levou à escolha de Popó.

Lembranças: era início da tarde de 7 de agosto de 1999 e eu andava pelo Terreiro de Jesus, quando, no ringue armado em Cannes, o pugilista baiano encaixou aquele murro histórico que fez desabar no tablado como um saco de cebolas o temido adversário russo Anatoly Alexandrov. Percebi imediatamente que algo extraordinário acabara de acontecer pelo tamanho descomunal do urro e da vibração no Centro Histórico, que logo tomaram a cidade.

Desligado do boxe, segui andando ao lado do fantástico e saudoso chargista Lage, mais outros colegas de jornalismo e de copo, à procura de um restaurante para almoçar.

Dentro do restaurante, na Praça da Sé, vi gente em transe a cada nova reprodução das imagens do nocaute na delirante transmissão de Galvão Bueno, pela TV.

“É Popó!”, gritava o locutor. Entrei na onda também.

Oito anos podem ser nada ou representar tempo demais, principalmente se estamos falando de estrelas do esporte praticado por Popó. Esta semana, vi o carismático bicampeão de pesos leves em cima de outro tablado: o político. Ele assumia secretaria que, em pouco mais de dois anos da claudicante administração do prefeito João Henrique – eleito pelo PDT de Brizola, mas já nos braços do PMDB do ministro Geddel –, nocauteou três ocupantes.

A secretaria de Popó é paupérrima. Em volume de recursos orçamentários, equiparase aos disponíveis pela mendicante Secretaria da Reparação Social. O prefeito discursa na posse, mas não se vêem mais em volta do pugilista as celebridades de antes – artistas, belas modelos e atrizes, famosos do esporte e da TV. O que se vê é cinzenta fauna de políticos e burocratas municipais, que sorriem enquanto disputam espaço na foto ao lado do ex-campeão.

João Henrique confessa não ter projeto definido para a pasta de Popó, mas promete traçar estratégias pessoalmente com o novo membro de sua equipe. Mais confiante, o campeão Popó diz acreditar que “arregaçando as mangas” e com algumas doações de bolas de futebol ou luvas de boxe por “empresários mais conscientes”, será possível fazer muito pelos jovens carentes de Salvador. Já se vê que não se trata de um jogo de profissionais, como o promovido pelo presidente Lula e sua comitiva no Teatro Castro Alves.

Mas, na política – como no teatro –, de ilusão também se vive.


Matéria publicada na edição de sábado (14/07/2007) do A Tarde.

14 julho 2007

Carcará depenado

O Atlético de Alagoinhas perdeu para o Coruripe por 2x0, no interior alagoano.

Não vi e tampouco ouvi.

Mas o resultado foi péssimo para os clubes baianos, que hoje estariam eliminados no grupo 8 da Série C.

Mauro César marcou aos 24 min do 1º tempo, de falta.

E ampliou aos 38, em pênalti, dizem, pra lá de polêmico.

No clássico sergipano, o Confiança venceu por 3x0 o América, gols de Bira, Rafael e Guga, e lidera o grupo 7.

Tem um gol a mais de saldo que o Bahia, segundo, também com quatro pontos.

Vitória detona Fortaleza

O Vitória voltou à rotina de triunfos maiúsculos na Série B.

Com o empate sem gols entre Santo André e Coritiba, terminou a 12ª rodada como vice-líder.

No Barradão, detonou por 6x0 o Fortaleza, ladeira abaixo após a sétima partida sem vencer.

Que fase atravessa Joãozinho!

Marcou o terceiro, aos 43min do 1º tempo, e deu passe para Alysson deixar Getúlio Vargas na saudade e fazer o quarto, aos 18 da etapa final.

Nos dois primeiros, troca de gentilezas.

Aos 20, Índio amorteceu no peito o escanteio cobrado por Faioli e chutou para abrir o placar.

Dez minutos depois, em confabulação de falta ensaiada, ajeitou para Faioli bater forte.

A esta altura, a qualidade dos baianos inibia os cearenses, que se rendiam a cada minuto.

A situação do Fortaleza agravou-se ainda mais no início da etapa final, quando André Lima derrubou Apodi e acabou expulso.

Qualquer estratégia do comandante Amauri Knevitz discutida no intervalo morria ali.

Já havia quem se desse por satisfeito e a arquibancada se movia no ritmo da ola.

Desta vez, diferente das três goleadas anteriores, não houve contratempo.

Deu tempo até para a dupla de volantes marcar gols.

Chicão, aos 31, completou escanteio cobrado por Índio.

Vanderson, aos 43, acertou tirambaço e sorriu, de orelha a orelha, na comemoração de seu primeiro gol como rubro-negro.

Fonte Nova tricolor

Cerca de 500 tricolores foram ao estacionamento da Fonte Nova ouvir pelo rádio Bahia e Asa.

Este aqui também embalou nas ondas sonoras porque trabalhou em Vitória 6x0 Fortaleza.

Mas futebol tampouco foi visto por quem da imprensa esteve do lado de dentro.

Bradaram que o time não jogou quase nada.

Foi um gol em cada tempo.

No primeiro, Pedrão, contra, completou cruzamento de Cléber.

Nos descontos, Amauri deixou o segundo, estreando o carimbo tricolor.


Ao menos um resultado positivo para o futebol baiano na Série C.

Caça à raposa

De Linhares e Poções, no interior capixaba, soube apenas o placar.

Mas o jogo terminou com o resultado esperado.

Derrota da raposa do sudoeste, gol de Rodrigo Calixto, no segundo tempo.

Baianos atrás do triunfo

O futebol baiano tem segunda chance para vencer na Série C.

Às 15h, no interior capixaba, o Poções, de quem não se espera nada, pega o Linhares-ES.

À noite, às 20h30, o Atlético de Alagoinhas, após empatar quando tinha vantagem de três gols, tem parada duríssima contra o Coruripe, líder porque venceu fora de casa mesmo jogando com um a menos.

Contudo, a partida de maior interesse acontece entre uma e outra, às 16h, na Fonte Nova.

Porque é imprevisível cravar resultado para Bahia e Asa.

Afinal, mesmo com a maior folha salarial da terceirinha, o tricolor não é o Real Madrid e Arturzinho manda a campo a 42ª escalação diferente no ano.

A primeira sem a torcida ver, privada pela penúltima partida com portões fechados, fruto da explosão contra o Ipatinga, na velha Fonte Nova, na Série C passada.

Vitória busca equilíbrio

Basta o Vitória ganhar do Fortaleza, às 16h, no Barradão, para se manter no G-4.

O problema é que somente uma vez na Série B o time passou duas partidas consecutivas sem perder.

Na segunda e terceira rodadas, quando ganhou do Ceará (3x0), fora, e do Ipatinga (4x0), em casa.

Talvez seja até o vice-líder, desde que faça sua parte e o Santo André não perca para o Coritiba, no ABC, também às 16h.

No mesmo horário, o Gama encara o Santa Cruz no Mané Garrincha.


E só.

Porque a 12ª rodada da Série B começou na sexta-feira à noite.

A Ponte Preta bateu o Criciúma por 3x2, no Moisés Lucarelli, e quebrou a invencibilidade de oito partidas do líder.

A seqüência de sete jogos invictos da Portuguesa também foi pelos ares: Remo 1x0, no Mangueirão.

Dois empates, ambos por 2x2, entre Barueri e Brasiliense, e Ituano e Ipatinga.

E o São Caetano que não vencia há sete partidas fez 3x2 no Ceará, dentro do Presidente Vargas.

Outro visitante a se dar bem foi o Marília, com 1x0 no CRB, no Rei Pelé.

Na Ressacada, Avaí 2x0 Paulista, afundado na lanterna.

13 julho 2007

Estádios mudos

O Coruripe inaugura amanhã no Estádio Gerson Amaral, contra o Atlético de Alagoinhas, o sistema wirelles para acesso sem fio à internet.

Novidade para facilitar o trabalho da imprensa e presente nos principais estádios brasileiros.

Tecnologia que não existe nas defasadas praças esportivas baianas.

Por aqui, o serviço de internet banda larga funcionou na Fonte Nova até o Brasileiro Série B de 2005.

Mas o Bahia não pagou débito com a Telemar e, desde então, as linhas ficaram mudas.

No Barradão, nunca houve. Como tampouco no interior do estado.

Quem gosta de usar computador portátil para dar informações direto do campo ou da Tribuna de Imprensa precisa assinar, por conta própria, algum serviço de internet móvel banda larga.

12 julho 2007

Baianos e o Pan Rio 2007

A cerimônia de abertura dos XV Jogos Pan-Americanos Rio 2007 acontecerá amanhã à tarde, mas duas atletas nascidas na Bahia têm estréia, nesta quinta, às 15h30.

Elaine Estrela e Formiga defendem a Seleção de futebol feminino contra o Uruguai, no Estádio João Havelange.

Ao todo, 19 atletas nascidos no estado compõem os 659 convocados.

Irrisórios 2,88%.


Mais dimutos ainda porque apenas sete (1,06%) vivem na Bahia.

O que escancara a sangria esportiva.

Que obriga, registre-se, até atletas de ponta migrar atrás de perspectiva.

Se sonha viver do esporte, levante o corpo em outro lugar.

Fenômeno que se fortalece na abstinência de políticas públicas.

Pois Ana Marcela Cunha, 15 anos, mudou-se para Santos meses atrás, levando à tira colo pai e mãe.

Medalha, para baiano, é artigo para ser visto pela televisão.

Abaixo: modalidade, atleta e local de nascimento.
*Com asterisco, quem ainda reside na Bahia. Todos na capital.


Atletismo
100m e 4x100m – Luciana dos Santos - Ilhéus
800m – Kleberson Davide - Ibirataia
Maratona - Sirlene Pinho – Santaluz

Boxe
*48kg – Paulo Carvalho – Gandu
*51kg – Robenilson Vieira – Salvador
*60kg – Everton Lopes – Salvador
*69kg - Pedro Lima – Riachão do Jacuípe
91kg – Rogério “Minotouro” – Vitória da Conquista

Canoagem
C2 500m e 1000m – Vilson Conceição – Itacaré

Esgrima
Sabre – Deise Falci – Salvador

Futebol
Elaine Estrela – Salvador
Formiga – Salvador

Hóquei na grama
Daione Mitchell – Salvador

Ginástica Rítmica
Marcela Menezes – Salvador

Natação
*800m – Nayara Ribeiro – Vitória da Conquista
*1500m – Luis Rogério Arapiraca – Feira de Santana
*Maratona Aquática – Alan do Carmo – Salvador
Maratona Aquática – Ana Marcela Cunha – Salvador

Vôlei de praia
Masculino - Ricardo Costa – Salvador

Dias de Índio

Muitas vezes, dentro do campeonato, muda-se a avaliação sobre um jogador.

Quanto mais durante o ano.

E era quase impossível Índio manter o ritmo do Baiano.

Mesmo assim, no estadual que não avalia ninguém, a torcida do Vitória forjou ídolo e o cobra como tal.

Quer gols e flechadas, coisa que Índio faz desde ano passado, apesar de ter sido reserva, lateral e volante.

Contudo, o Vitória, inseguro, vive período de afirmação na Série B.

Índio, despontando na carreira como atacante, também.

Exceto contra o Atlético-PR na Copa do Brasil, finalmente tem sido exigido.

Não parece, mas participou diretamente de seis dos 23 gols do melhor ataque do campeonato, ao lado do Marília.

Com quatro gols e duas assistências em nove partidas, estréia excluída.

Menos apenas que Joãozinho, sete gols e três passes decisivos, e Apodi, um e sete.

O fato é que Índio, apesar dos números, não está bem.

Desiludiu a torcida, que o vaiou no Barradão para a entrada de Paulo César.

Que não se abata e decepcione Givanildo Oliveira.

Porque o treinador, durante o Baiano, manteve Joãozinho e Apodi.

O atacante que não fazia gols e o lateral que não marcava ninguém.