27 julho 2007

Muito além da medalha

Vilson Nascimento e Wladimir Moreno fizeram história.

Ganharam a primeira medalha da canoa brasileira em Pan-Americanos, esta manhã.

Canoa, modalidade da canoagem, como o caiaque.

Contudo, disputada com um dos joelhos dobrado e remo de uma pá.

Eles foram prata no C-2 1000m.

Emergiram de maré de descaso.

Vilson entrou no projeto Remando para o futuro para se alimentar do lanche distribuído duas vezes ao dia aos atletas da equipe de remo, em Itacaré.

Aos 17 anos, sofria por causa da fome. Era fome, no duro.

Mais tarde, pelo esporte, deixou o emprego de ajudante de cozinha.

Venceu no Pan, aos 22, ele sabe como.

Wladimir, 24 anos, nasceu em Santos, mas chegou criança a Ibirataia, no sul baiano.

Ingressou por aptidão no trabalho desenvolvido por Jefferson Lacerda, na Barragem do Funil.


Jefferson que foi à Olímpiada de Barcelona 1992 com Sebastian Cuattrin, no caiaque.

E Wladimir também penou.

Até empréstimos fez para pagar contas e competir.

Ambos vivem em São Bernardo do Campo, interior de São Paulo.

Há dois anos, sede da Seleção Brasileira de Canoagem.

Formada por oito baianos, dois paulistas e pelo técnico Pedro Sena Júnior, baiano de Aurelino Leal.

Tudo porque, na terra de todos os santos, faltou um patrocinador humano.

Como faltam R$ 50 mil para construir uma raia olímpica na Bahia.

Conversa com Gilmey Aymberê

Por telefone, falei esta manhã com Gilmey Aymberê.

Senti que o ex-treinador do Atlético de Alagoinhas estava incomodado com a demissão.

Contudo, como segue no júnior do Vitória, preferiu não polemizar.

Mesmo assim, comentou do ciúme entre jogadores no início da parceria.

Problema superado, vê condições do Atlético se classificar na Série C.

MS – Sua demissão surpreendeu também a você, Gilmey?
GA – Fazer o quê? Eu não gostaria nem de falar sobre este assunto para não polemizar. Quero o Atlético classificado na Série C. Continuo no Vitória e volto a desempenhar meu trabalho na divisão de base. Cabe às pessoas a análise de como fui demitido, o tempo para montar o elenco, quem veio, estas coisas.

MS – Quem te comunicou: Renato Braz ou Raimundo Queiroz?
GA – Nenhum dos dois! Foi Alexi Portela Júnior quem conversou comigo e passou a situação.

MS – Havia ciúme entre os atletas do Vitória e do Atlético?
GA – No começo, houve. Até porque o pessoal da parceria recebe contracheque, salário, tudo pelo Vitória. E, com Alexi, tudo é pago exatamente como manda a lei. Não há reclamação. Depois, organizou e o ambiente melhorou. Os jogadores não se conheciam, estavam se entrosando e era chato aquilo de uns terem salário e outro não. Mas passou. Foi resolvido. Só que demora tempo para se ganhar confiança.

MS – Tempo que faltou para arrumar o time.
GA – Confio muito na classificação no grupo 8. Contudo, não dá para colocar um time no jeito em cinco dias de pré-temporada. Você tem que testar, ver se o rendimento é bom, oferecer a segunda chance a quem foi mal, transmitir tranqüilidade. Célio, Narcísio e Diogo, por exemplo, têm qualidade, mas estavam sem ritmo. O ideal era 45 dias para fechar um grupo e testar nos amistosos. Aposto muito na chegada de Carlos Magno para dar qualidade de a bola ir do meio ao ataque. William, um garoto de 18 anos que veio de Sergipe, treina como se fosse o último dia da vida dele. Quieto e trabalha demais. Diferente de muita gente que fala à vontade. William pensa no futuro. Em chegar a algum clube grande, de ponta, e vencer na vida.

26 julho 2007

Show do futebol arte

Elaine Estrela e Formiga conquistaram o bicampeonato Pan-Americano com a Seleção Brasileira de futebol feminino.

O Brasil atropelou os EUA – Sub-20, verdade – com categórico 5x0 na final, disputada no Maracanã.

Contudo, lembremo-nos que na final de Atenas, entre times principais, a arbitragem pendeu demais para as atuais bicampeãs olímpicas e mundiais.

Outro fato é o valor destas mulheres, compatível ao “Maior do Mundo”.

E o público as aplaudiu de pé.

Que show do futebol arte!

Com duas soteropolitanas titularíssimas.

Aos 29 anos, Formiga está na Seleção desde 1995, como Maycon e Kátia Cilene.

Superadas apenas por Pretinha, que vem desde 1991.

Formiga deixou o estado há anos e, hoje, joga no Saad, tradicional clube de São Paulo.

Elaine, 24 anos, passou por União, Galícia e São Francisco do Conde.

São Francisco, atual hexacampeão baiano e que, em julho de 2006, foi matéria da Revista da Fifa, pois, àquela altura, estava há cinco anos e sete meses invicto.

Elaine foi convocada pela primeira vez em 2003, ano que se tornou profissional pela Ferroviária, de Araraquara-SP.

Há três anos atua no Umea, da Suécia, ao lado de Marta, a melhor do mundo pela Fifa.

Marta que pisará na calçada da fama do Maracanã.

Uma mulher ao lado de Garrincha e Pelé.

Mas que pede apenas apoio ao futebol feminino, prometido pela CBF após a prata em Atenas.

Vamos ver se nos próximos sete anos sai alguma coisa.

René Simões no Barradão

A última partida de René Simões no Barradão aconteceu exatamente quando o Vitória caiu da Série B, 10 de setembro de 2005.

Agora treina o Coritiba, adversário de sábado.

Naquele dia, saiu de campo feliz pelo empate por 3x3 com a Portuguesa.

Descobriu apenas nos vestiários que o CRB poderia ultrapassar o Vitória, como aconteceu, após virar para cima do Criciúma, nos descontos, fora de casa.

Rebaixamento fulminante.

Queda de sétimo para 17º lugar em quatro rodadas.

Antes o time havia sido derrotado por Santa Cruz (1x0, no Arruda), Ceará (1x2, no Barradão) e União Barbarense (4x1, em Santa Bárbara d´Oeste).

A última vitória foi 2x0 sobre o Caxias, em 13 de agosto.

Quando Somália marcou seu único gol com a camisa rubro-negra.

René Simões treinou o Vitória em 39 partidas, com 17 triunfos, onze empates e onze derrotas.

Foi tetracampeão baiano invicto.

Foi, também, eliminado pelo Baraúnas na Copa do Brasil.

Veja, abaixo, a ficha técnica daquela partida:

VITÓRIA 3X3 PORTUGUESA

Vitória: Felipe; Edílson, Itamar, Zé Roberto e Fininho; Jairo, Vinícius, Donizete Amorim e Leandro Domingues; Leonardo (Gilmar) e Alecsandro. Técnico: René Simões.
Portuguesa: Rafael Fave; Maurício, Émerson, Nenê e David (Jackson); Raí (Bruno Rodrigo), Alexandre, Rafael Toledo e Cléber; Johnson (Oliveira) e Leandro Amaral. Técnico: Giba.
Local: Barradão, às 16h.
Gols: Johnson, aos 3, Emerson, aos 7, Alecsandro, aos 8, Leonardo, aos 21, Nenê, aos 23, e Alecsandro, aos 35 min do 1º tempo.
Cartões amarelos: Zé Roberto e Jairo (Vitória), e Emerson, Raí, David e Jackson (Portuguesa).
Público: 4.416 pagantes.
Renda: R$ 23.160,00.
Arbitragem: Cléver Assunção Gonçalves (MG), assistido por Marco Antônio Martins (MG) e Helberth Costa Andrade (MG).

25 julho 2007

Confiança pressiona o Bahia

O Confiança-SE acaba de vencer por 1x0 o América-SE, no Lourival Baptista.

Gol de Guga, de pênalti, no primeiro tempo.

Chegou a 13 pontos no grupo 7 e botou pressão no Bahia.

Que precisa ganhar por três gols de diferença do Asa-AL, domingo, em Arapiraca.

Ou, então, descontar a diferença no Confiança, dentro da Fonte Nova, no reencontro com a torcida.

Do contrário, passará da primeira fase da Série C como segundo.

Renda de R$ 4.330,00 para 801 pagantes e 480 não pagantes.

Haja cortesia no rico futebol sergipano!

Ah, Lima Sergipano saiu aplaudido, aos 39 minutos do 2º tempo.

Somente para a equipe da Rádio Jornal especular se ele virá para a partida em Salvador, dia 5 de agosto.

Sobre Nonato

Tinha me prometido não falar nada sobre Nonato.

Porque, como se sabe, um gesto vale mais que mil palavras.

Ainda mais quando elas são sugeridas pelo empresário.

Diferente do gesto, que foi expressão pessoal.

Contudo, José Roberto Tolentino, médico e colunista do ecbahia.com.br, foi sublime.

“Para o desempenho e atitudes de Nonato não tenho nem eufemismos nem oxímoros, pois até as palavras, que têm limites, decência e compostura, estão mortas de vergonha”.

Para constar: eufemismo (1) é uma figura de linguagem que consiste em suavizar uma expressão ou idéia usando termos menos contundentes; oxímoros (2) são figuras da retórica clássica que consistem em combinar, numa só expressão, dois termos considerados antagônicos.

Exemplo 1: Dizer corrupto ao invés de ladrão.
Exemplo 2: Mentiras sinceras. Ou o grandioso soneto lírico de
Luís de Camões sobre amor.

Balanço da 14ª rodada

Foram 32 gols em dez partidas da Série B.

Sete vitórias dos mandantes e três empates.

Apenas um 0x0, entre Ipatinga e Barueri.

Destaque para o Marília.

Que voltou ao G-4 mesmo punido com a perda de seis pontos por escalar um atleta irregular e, dos oito representantes de São Paulo, é o melhor colocado.

O Paulista passou a lanterna para o Ituano, rotina entre eles.

Santa Cruz e Remo também vão se acomodando na zona de corte.

O Criciúma terminou líder pela 11ª vez em 14 rodadas.

Já botou seis pontos na frente do Coritiba, segundo, e onze no Vitória, quinto, primeiro dos que não vão a lugar algum quando acabar o campeonato.

Média na rodada de 6.596 pagantes, sem contar Ipatinga x Barueri, cujo borderô não está disponível no site da CBF.

No Arruda, 29.678 pagantes – 25 mil na promoção Todos com a Nota.

E o São Caetano passou o Ituano.

Pior público com 231 pagantes diante do Remo.

Mas continua, digamos, atrás na lista “Top 10”.

Placar 6x4 para a cidade dos superlativos.

OBS: Sobre o Todos com a Nota, do Governo Pernambucano. Antes de ter acesso ao ingresso, o torcedor se dirige a um dos diversos pontos da campanha espalhados pelo Recife e efetua a troca de notas fiscais pelos Vales Cidadãos. Cada R$100,00 em notas da direito a um vale, o qual pode ser trocado por um ingresso.

*Atualizada às 21h40, com a média de público.

24 julho 2007

Vitória triturado na Boca do Jacaré

O Vitória sofreu a maior goleada da Série B duas rodadas depois de ter feito igual com o Fortaleza.

Brasiliense 6x0, na Boca do Jacaré, e queda para o quinto lugar.

Com sete minutos, nasceu a sexta derrota como visitante - quinta consecutiva.

Que golaço!

Allan Delon recebeu lançamento do meio-de-campo de Adrianinho e, de primeira, encobriu Ney.

Aliás, não pergunte onde estava a defesa.

Melhor dizendo, o time inteiro.

Consertando, um bando, esta noite.

Adrianinho foi sublime.

Deu mais dois passes para gol, ambos de cabeça após escanteio:

Warley fez o segundo do Brasiliense, aos 22 do 1º tempo, e Pedro Paulo, substituto de Júnior Baiano, o sexto, aos 43 do 2º tempo.

Warley estava encapetado.

Porque antes de fazer o quarto gol, da risca da meia-lua, aos 37, deu o terceiro de presente para Dimba, aos 25.

Givanildo estava tão zonzo, deduzo, que esperou voltar do vestiário para tentar algo trocando Bida e Índio por Jackson e Paulo César, também discretos.

Era nítido que os jogadores do Vitória estavam mais amarelos que a camisa do Brasiliense.

Na etapa final, para ser fiel, os baianos chutaram à vontade.

Nada, contudo, que exigisse esforço do goleiro Guto.

Talvez, olhe lá, um tiro Joãozinho, aos 38, defendido em dois tempos.

E bastou esta ousadia para Reinaldo Aleluia acertar o travessão e, no rebote, Adrianinho fazer o dele, o quinto do Brasiliense.

*Atualizada às 12h07. Correção: Foi a quinta, e não quarta, derrota consecutiva do Vitória - 3x1 Ituano, 1x0 Portuguesa, 3x1 Barueri, 2x0 Criciúma e 6x0 Brasiliense.

Ah, que saudade de você!

Quem mais vezes treinou o Ipitanga foi Alcyr Silva: cinco.

Quem mais vezes foi demitido, também: quatro.

Todas por Renato Braz, que o contratou para o Atlético de Alagoinhas substituindo Gilmey Aymberê.

Alcyr se manteve no Ipitanga somente uma vez até o final de seu acordo.

Na Série C do ano passado, quando terminou na lanterna do grupo 8, com quatro pontos.

E Renatinho tinha ido embora meses antes, brigado com o alemão Martin Winner.

No Campeonato Baiano, Alcyr Silva passou por Itabuna e Juazeiro.

Saiu pelos fundos.

No Itabuna, ganhou uma partida, empatou outra e perdeu cinco.

Dos três treinadores do Juazeiro, foi o com pior aproveitamento de pontos: 40%, contra 48% de Sérgio Araújo, que saiu para ser auxiliar de Mário Sérgio, no Figueirense, e 62,5% de Célio Gonçalves, que veio dos juniores.

Até quem parece novo no futebol baiano carrega velhos vícios.

A Série B passa. Assim...

Terça-feira com rodada completa, às 20h30, pela Série B.

E lá se vai 37% do campeonato, assim, despretensioso.

Bom para surpreender os desatentos.

Na medida para expulsar do G-4 o derrotado de Brasiliense x Vitória, na Boca do Jacaré.

Marília e Gama, logo atrás na tabela, torcem por empate, direto do interior paulista.

Coritiba e Ponte Preta, no Couto Pereira, fazem partida vital para ambos.

O Coritiba tenta engrenar, senão repete filme do ano passado.

A Ponte também, porque correr atrás desgasta e nem sempre adianta.

No Heriberto Hulse, dá pena do Ituano.

Somente daqueles acontecimentos do futebol para o Criciúma, líder e 100% como mandante, não passar como um trator por cima do lanterna.

Ipatinga e Barueri devem fazer jogo equilibrado, em Minas.

Como Portuguesa e Avaí, no Canindé.

No Nordeste, dois jogos.

O Santa Cruz recebe o Ceará.

Com obrigação de vencer e empurrar o adversário para a zona de rebaixamento.

O Fortaleza pega o Santo André.

Vida dura pelo momento tricolor, mas ideal para renascer.

Para quem tem estômago e bola de cristal:

São Caetano x Remo, no ABC.

Paulista x CRB, em Jundiaí.