31 julho 2007

Bahia goleia fora após oito anos

O Bahia não goleava como visitante no Campeonato Brasileiro havia oito anos.

Independente da divisão.

Antes do 4x0 sobre o Asa-AL, em Arapiraca, pela Série C, era preciso recuar até 7 de outubro de 1999.

Quando o time treinado por Joel Santana aplicou 4x0 na Tuna Luso-PA, no Francisco Vasquez, pela Série B.

Pela Série A, a última vez foi 4x1 no Fluminense, em 4 de outubro de 1990, nas Laranjeiras.

Candinho era o técnico.

Foi também o único ano de um tricolor artilheiro do Brasileirão: Charles, 11 gols.

E a última vez que o Bahia bateu o Fluminense.

Brasileirão 1990
Fluminense 1x4 Bahia
Gols: Naldinho, Charles, Gil Sergipano e Luis Henrique. Alexandre Torres descontou.

Brasileiro Série B 1999
Tuna Luso 0x4 Bahia
Gols: Capixaba, Júnior, Uéslei e Edmundo.

Brasileiro Série C 2007
Asa 0x4 Bahia
Gols: Nonato (3) e Moré.


*Critério para goleada: marcar quatro gols e diferença de pelo menos três. Ex: 4x1 é goleada. 3x0, não.

30 julho 2007

Resumo da 5ª rodada

Foram 74 gols em 32 partidas na Série C: 2,3 em média.

Com 17 vitórias dos mandantes, oito dos visitantes e sete empates.

Definida metade dos 32 classificados: ABC-RN, América-RJ, Atlético-PB, Bahia-BA, Barras-PI, Bragantino-SP, Confiança-SE, Coruripe-AL, Crac-GO, Esportivo-RS, Joinville-SC, Nacional-AM, Nacional-PB, Rio Branco-AC, Roma-PR e Ulbra-RS.

Ulbra, aliás, com 38 ingressos vendidos em duas partidas.

E o Caxias-RS eliminado, como o Paysandu-PA.

E o Bahia sem sofrer gol.

E, pela primeira vez, com a melhor campanha da Série C.

E América-SE e Madureira-RJ há 460 minutos em branco.

E o Democrata, líder do Grupo 14, tomando 7x1 do Villa Nova no duelo mineiro.

E a Paraíba como único estado a classificar todos (2) seus clubes.

Pode tudo na Série C.

Ou não pode?

Balanço da 15ª rodada

Foram 32 gols em dez partidas da Série B, como na rodada passada.

Seis vitórias dos mandantes, duas dos visitantes e dois empates.

Um deles sem gol, entre Santo André e Santa Cruz.

O Marília ganhou a terceira fora de casa e sobe na tabela.

Está sem segundo lugar e invicto há sete partidas.

Perdeu pela última vez para o Vitória, no Barradão.

Jorge Raulli tem cinco vitórias e um empate.

Substituiu Paulo Comelli, que pena para ajeitar o São Caetano.

E deve se perguntar se valeu à pena.

O Vitória continua em quinto.

Ganhou pela oitava vez, duas menos que Criciúma e Marília.

Mas perdeu sete, menos somente que os três últimos.

Santa Cruz, Remo, Paulista e Ituano completaram, unidos, três rodadas consecutivas na zona de rebaixamento.

Para não esquecer, o Criciúma terminou líder pela 12ª vez.

Foram somente 4.525 pagantes de média.

E três partidas com menos de mil.

Santo André 3x3, Criciúma, com 884, Gama 0x2 Portuguesa, com 777, e Ituano 3x0 Brasiliense, com 213 pagantes!

O pior do campeonato, com 18 torcedores a menos que São Caetano 3x1 Remo, pela 14ª rodada.

A mágica do rádio

A mágica do rádio

Luis Fernando Veríssimo

Não posso dizer que me decepcionei na primeira vez que vi um jogo de futebol no campo. Naquele tempo – pelo menos em Porto Alegre –, ainda não havia arame ou fosso protegendo o campo da torcida, podia-se ver o jogo debruçado sobre uma cerca baixa de madeira, na beira do gramado, só se arriscando a levar uma bolada ou ser atropelado por um jogador sem freios. Sentiase o cheiro da grama, ouvia-se o xingamento entre os adversários – era outro universo. Mas estranhei a ausência do locutor.
Descobri que futebol apenas visto (não, crianças, existia nem radinho de pilha para se levar ao jogo) era muito diferente de futebol “irradiado”.
Os locutores de rádio nos acostumavam com uma narrativa dramática, mesmo que nada de muito emocionante estivesse acontecendo em campo. Pelo rádio, os ataques do nosso time eram sempre cargas épicas contra a defesa inimiga, e os gols do nosso time não eram apenas bolas na rede, eram bolas na rede acompanhadas por um grito triunfal, que repetíamos – “Goooooooool!!!” – com entusiasmo feroz. No campo, naquela primeira vez, senti falta do drama ininterrupto que o locutor fornecia.
O futebol ao vivo, paradoxalmente, era mais incompleto do que o futebol narrado.
A mágica do rádio era esse outro universo, feito só com vozes. O rádio não era som sem imagem, uma realidade pela metade. Era som criando imagens, uma realidade diferente. Isso não valia apenas para o futebol. O “rádioteatro” era mais realista do que qualquer novela da TV, porque quem fornecia a cenografia, a paisagem e o ambiente era o próprio ouvinte, na sua cabeça – e com recursos ilimitados. O próprio noticiário de rádio tinha uma autoridade que a TV nunca conseguiu reproduzir, talvez porque uma voz firme concentrasse mais a atenção do que a visão de um locutor emitindo-a, e ainda por cima maquiado.
Claro que não deixei de ir ao campo para ficar em casa ouvindo a narração, imaginando jogos sensacionais em vez de vendo jogos nem sempre tão animados.
Mas só com o advento do rádio transistor, que tornou possível estarmos em dois universos simultaneamente – o do jogo contado e o do jogo presenciado –, é que senti que minha experiência do futebol estava completa. Eu tinha o futebol de fato e o futebol das vozes.
O mágico.
Mas isso foi há muito tempo.
Hoje, sou um torcedor relapso, reduzido a reminiscências nostálgicas. E pay-per-view.


*Publicada, entre outros, no A Tarde de ontem.

29 julho 2007

Bahia cumpre seu papel

O Bahia acabou com a história de jogar mal na Série C.

Ganhou de 4x0 do Asa, em Arapiraca, e passou o Confiança no saldo de gols.

Também não precisa muito para deslanchar em campeonato de baixo nível técnico.

Mas tampouco seria correto desmerecer quem cumpre seu papel.

O Asa se defendia e arriava pontapés no Bahia.

Tentava apenas em contra-ataques; um até acertou a trave.

Mas Nonato, aos 25 minutos, aproveitou falta desviada na barreira e fez 1x0.

E ampliou de pênalti sofrido por Adilson, aos 39.

O jogo estava resolvido.


Faltava um gol para tomar a ponta do grupo 7.

No intervalo, Nonato mandou camisa ao invés de dedos, pelo que torcida e quem se respeita agradecem.

O segundo tempo foi na mesma toada.

Aliás, facilitada pela expulsão do zagueiro Júnior Santos.

Moré, substituindo Danilo Rios, ampliou, aos 34, e Nonato fechou a contagem nos descontos.

Três lutam e um se garante

Atlético e Coruripe empataram sem gols no Antonio Carneiro.

E os alagoanos garantiram a liderança do grupo 8.

Que viu embolada disputa para saber quem sobrevive na Série C.

Porque o Poções fez 2x1 no Linhares no Lomanto Júnior, gols de Cafu.

Coruripe, 11 pontos, Atlético, seis, Linhares, cinco, e Poções, quatro.

Na última rodada, Atlético e Linhares no Estádio Conilon.

Ao contrário do que parece, sentir-se-á em casa o Carcará.

Sem iluminação artificial, o Joaquim Calmon, mando do campeão capixaba, acabou vetado pois a CBF exige partidas iniciando ao mesmo horário na rodada decisiva.

E apenas dois estádios do Espírito Santo foram vistoriados.

O outro, é claro, a praça esportiva de Jaguaré.

Cidade do clube de mesmo nome derrotado em inédita final estadual, recorde-se.

O Poções vai até Coruripe segurando fio de esperança.

Tem que ganhar e torcer por empate no outro jogo.

E deve acreditar.

Porque este blogueiro assassinou a matemática na nota anterior.

Atrelou a vida da Raposa a triunfo dela e abate do Carcará.

Quando o empate, como se atesta, bastava.

Afinal, caso ambos somem sete pontos, da Poções no desempate por vitórias.

Correndo atrás

Dos três jogos com clubes baianos pela quinta rodada da Série C, um vai deixar a torcida triste.

É irrisória a chance de Atlético e Poções seguirem vivos no grupo 8.

O Poções pega o Linhares-ES, em Vitória da Conquista, às 16h.

Com gosto de despedida antecipada e adeus ao Lomanto Júnior.

Se não ganhar, como nas quatro partidas anteriores, está eliminado.

Vencendo, precisa que o Atlético tenha sido derrotado pelo Coruripe-AL, líder e classificado.

Eles se enfrentam a partir das 15h, no Antonio Carneiro, em Alagoinhas.

Pelo grupo 7, o classificado Bahia encara o eliminado Asa-AL, em Arapiraca, às 17h.

Para tomar a liderança do Confiança-SE tem que fazer de 3x0 para cima.

Tem quem não veja graça ser primeiro quando não vale nada.

Cheio de embasamento histórico, aliás.

Frustrado que ainda está de 1999, 2004 e 2006.


*Atualizada às 16h40. Asa-AL x Bahia começa às 17h, e não às 16h, como foi escrito.

28 julho 2007

Vitória abafa a crise

Com Cláudio Prates como treinador interino, o Vitória bateu por 3x1 o Coritiba e abafou a crise, no Barradão.

Sem brilho e sem mau humor, manteve o retrospecto: venceu a sétima de oito partidas como mandante.

O Vitória tinha apenas Jackson na armação.

E tremenda dificuldade em furar o bloqueio do Coritiba.

Batia de frente quando o correto seria abrir pelos lados, ir à linha de fundo e, de lá, cruzar para o meio.

Mas também tinha Joãozinho acostumando-se a resolver.

Aos 27, Jackson recebeu passe dele e bateu da risca da área: 1x0.

Suficiente para quebrar o estado de agonia na arquibancada.

O Barradão, porém, gelou no retorno do intervalo.

Aos seis, Keirrison, substituto do apagado Henrique Dias ainda no primeiro tempo, desviou chute e Ney aceitou, quando tinha totais condições de defender.

O Coritiba empatava no primeiro ataque para valer.

E não virou, em cinco minutos, pois Ney salvou cara a cara com Keirrison.

Começava tudo de novo.

O rubro-negro encima, o alviverde se defendendo.

Aí, René Simões mostrou porque não deixa saudades, largando Keirrison isolado e recuando o time o quanto pôde.

No mesmo período, Cláudio Prates substituiu Índio e Bida por Faioli e Sorato.

Ganhou recompensa pela aposta menos conservadora.

Com auxílio involuntário do árbitro Ricardo Tavares de Lima, aos 34 minutos.

Porque, como não havia autorizado cobrança de falta, ele mandou Faioli repetir o lance que terminou no gol de desempate de Sandro, de cabeça.

Na TV, vi ter sido de Leandro, contra, porém vale a súmula.

Sorato, aos 45, recebeu lançamento de Faioli desviado por Jackson e definiu.

Foram 8.350 pagantes satisfeitos com o resultado.

E ansiosos sobre o futuro treinador.

Que passe de ladainha

Equipe Cidade do Futebol

Dossiê da CBF para Copa 2014 prevê construção de 4 estádios no Nordeste

Entidade já selecionou as 18 cidades pré-candidatas à sediar partidas durante Mundial e envia documento na próxima terça

Na próxima terça-feira a CBF envia a documentação para a Fifa sobre a candidatura do país à sede da Copa do Mundo de 2014. Nesse dossiê constarão informações das 18 cidades pré-selecionadas e candidatas a sediar jogos durante o evento máximo do futebol. A entidade prevê a construção de quatro novos estádios para a competição.

Os novos estádios deverão ser o estádio dos Reis Magos, em Natal, com capacidade para 50.800 pessoas, a Arena Zagallo, em Maceió, com capacidade para 41.348 torcedores, Arena Recife/Olinda, com 35.480 lugares e por fim a Arena da Bahia, em Salvador, que irá comportar 40 mil espectadores.

Nas outras 14 cidades pré-candidatas (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Rio Branco, Rio de Janeiro e São Paulo) a proposta é de reforma em seus principais estádios.

Após receber o documento e aprovar a candidatura brasileira (o que deve acontecer em 30 de outubro), a Fifa deverá selecionar entre oito e dez cidades para a Copa, apesar da CBF lutar para aumentar esse número para 12. A resposta sobre as cidades só será conhecida em junho de 2008.

Complemento da Série B

Sete partidas, logo mais às 16h, completam a 15ª rodada da Série B.

Que começou, ontem, com vitória de mandante, de visitante e empate.

A Ponte Preta liquidou o Ipatinga, 5x1, no Moisés Lucarelli, e decidiu entrar na briga pelo G-4.

Como a Portuguesa, que surpreendeu o Gama, ganhou por 2x0, passou adversário direto e dormiu do lado de dentro da zona de salvação.

Também fora de casa, o Criciúma empatou por 3x3 com o Santo André e continua folgado.

Quem pode chegar mais perto é o Coritiba, adversário justo do Vitória, no Barradão.

E os baianos têm que vencer, porque, do contrário, aí sim, a crise estoura de vez.

Pois, até ganhando, vai ser difícil entrar no G-4.

Dependeria do Brasiliense não ganhar do lanterna Ituano ou do Marília não bater o Remo, missões complicadas apenas por serem fora de casa.

Avaí e Santa Cruz e Ceará e Paulista lutam para não ver materializado o fantasma do rebaixamento.

Barueri e Fortaleza, para deixar o meio da tabela.

CRB e São Caetano, para mostrar o que pretendem.

Desde que, claro, queiram algo além de dignificar o espírito esportivo.